
"...Eu confesso que desconhecia essa energia que estabeleceu-se entre o amor e eu...
Não sabia que era capaz de amar com tamanha entrega até que as estrelas desceram dos céus e deitaram-se comigo. Nem sabia o quanto te queria até que meu maior desejo passou a ser a realização das suas fantasias perfiladas em fios finos e expostas como uma pintura em moldura de cuidados e zelos, emaranhados em meus cabelos. Não entendia essa magia de amar que refez um mundo de esperanças e expectativas, nos passos que eu caminho agora, rumo a mim mesma. Não entendia que quando você falava comigo, sua voz varria o pó do meu caminho transformando tudo em pétalas de flores e luz. Não sabia que te amava tanto até que me peguei te buscando, completamente perdida entre os dedos da mão que segura o tempo que passa por nós dois. E aí, quando eu entendi o quanto a minha vida anda repleta da sua ausência e, que a carência que sobrevoa e assombra cada noite que morre e cada dia que recomeça faz com que eu quebre todos os meus brinquedos. dá fim aos meus medos e eu reconheço que agora finalmente é chegada a nossa hora..."
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Cris
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17h10
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Ninguém pode cobrá-la pela doçura perdida...
Pela expressão distante, quase embrutecida...
Nem pela tristeza dolorida resultante da história que antecedeu aquele desfecho tão esperado, que não aconteceu. Pelas lágrimas que não derrama mais, ou pelo sorriso que morreu em seu rosto, desde o instante em que soube que ele não era mais seu. E ainda assim, ele pensa que pode acusá-la pelo gelo em que se transformou? Não! Ele não pode! Ninguém pode...Ou será que ele não percebeu o quanto ela se deu em sentimentos? Como confiou, esperou e entregou-lhe tudo antes mesmo de entender que aquela fatia de felicidade sequer poderia ser sua? Que não lhe pertencia? Quem sabe se ele pedisse, ela tentasse ainda... Quem sabe, se ele quisesse, ela esperasse mais! Quem sabe ainda o carregasse inteiro e perfeito dentro do peito, afinal, ela era muito mais dele do que dela mesma. E disso também, ele sabia...Mas será que em algum momento, ele soube que ela passou para as suas mãos, naquele diálogo de almas, toda a esperança que ainda vivia dentro do seu coração e que havia sobrevivido à todas as tempestades? Será que ele olhou pra dentro daqueles olhos brilhantes e viu neles o sorriso pleno que ela carregava e, que se sorria, era por ele? Será que realmente se importava? Não...Ele nem olhou prá trás prá ver que aquele dia tão pesado que ela carrega como fardo ainda, a noite fria que não finda e o vazio que hoje ela é, formaram-se depois que ele cansou-se de amá-la. Depois que ele, despudoradamente, ignorou o que ela possuía de mais sagrado e entregou-lhe, sem titubear: a sua fé! Não, ninguém pode culpá-la! Não por isso, afinal, ela perdeu junto com esse amor, o jeito meigo e a crença na vida, que trazia. A pureza com que ria. Mas se ele não a amava, que diferença isso fazia? Quem sabe ela não tenha tido coragem suficiente prá gritar e contendo-se, esperou por ele? Quem sabe se ela tivesse descido do salto, lançado um berro, alto, cobrando o cuidado que ela jurava que merecia ou pedindo a clareza que a certeza dele nunca expressou. Se tivesse exigido que ele lhe olhasse nos olhos e que acreditasse apenas nos seus olhos, talvez agora ela ainda estivesse inteira....
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Cris
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11h06
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"....Trago muitos poemas de amor escritos na pele. Mas tão à flor da pele, que só a minha pele já não chega. Não é suficiente! Tanto não é suficiente que sinto a necessidade de escrevê-los na sua. Abrigo tanta paixão dentro do corpo que o meu corpo não a comporta mais. Afinal, é só um corpo e, por isso, preciso derramar parte dela no seu, dividindo-a por dois, você entende? Por nós dois! E essa agonia, eu sei bem o que é: é essa saudade que abraça de repente a alma da gente, ajusta-se ao peito pelo lado de dentro, ocupa todos os espaços, machuca tanto e faz com que num final de tarde chuvosa, sob um céu cinza e com os olhos voltados pro horizonte, eu continue aqui, esperando que essa tempestade passe e que a calmaria castanha dos seus olhos chegue até minha alma, envolva-me em seus sonhos e leve-me prá você. Afinal, uma paixão não pode ser relativa, tampouco existir de um meio termo. Ela sobrevive de um extremo: ou se ama demais, ou não se ama o suficiente."
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Cris
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15h07
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“Que do amor que eu sinto, nunca brotem mágoas. E se assim for, que não ameacem esse amor. E se ameaçarem, que a dor não venha selvagem ou feroz. Que não se torne nosso algoz. Que mesmo transbordando através das lágrimas que rolam das meninas ansiosas dos nossos olhos, não se esparrame mais do que o necessário. Que me respeite mesmo fazendo sombras as suas sombras e que a mim não mate para que não se constate o benefício do repouso para essa minha alma, que é tão sua.
Que a minha saudade não ameace a calma ou o nosso direito de ir e vir; que consiga transcender e transgredir. Agradar sem agredir! Espantar e apontar; mas nunca desapontar. Que ela chame a sua atenção, despontando de repente, numa disritmia crescente, na mais completa contradição de emoções e de paixão. Que ela fale por adjetivos e que se tinja das cores mais gritantes. Que faça com que minha paz se sobressaia, colorida e traduzida, em tons pastéis. E que essa paz saiba ser mansa e brilhar feito o crepúsculo em final de tarde de outono. Que flutue no silêncio das horas, que passam por mim agora, sem pressa alguma. Que a minha alegria seja sonora e barulhenta. Daquela que acalenta, caçoando e abusando dos risos. Que faça barulho e que se disfarce de festa. Que acredite ser (e que seja) eterna. Que cante, dance assim, sem resistências. Agora, quanto ao amor...Quanto a esse amor que cresceu tão perfeito dentro do meu peito, que eu não permita que ele se cale! Que eu consiga que ele me proteja; que me convença e que não se exale. Que essa distância não nos abale e que ele seja exato e justo. Digno e merecedor.
E como eu espero, antes, durante e depois...
Prá nós dois,...
Que ele sobreviva...
Absolutamente sincero!”
*E assim, será!
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Cris
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20h39
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...E então eu me calei.
Não como os infelizes que se calam por lhes faltarem argumentos. Também não chorei; eu não me permitiria tamanha fraqueza. Mas calei-me como se cala uma criança pequena. Calei-me devagar. E Pensei... Muito! E não num silêncio agressivo...Ou passivo. Não! Foi pela mais pura vontade de fechar todas as portas, apagar todas as luzes, jogar fora as chaves e espantar os pássaros do telhado (tudo culpa do meu desassossego, eu sei...). Eu quis gritar, por um instante...Bem alto! Acordar os preguiçosos. Gritar até adormecer porque quem sabe dormindo eu encontrasse abrigo. Um abrigo em meio a cobertores e a desordem de sonhos interrompidos dentre os quais eu venho desde muito tempo garimpando a tão sonhada felicidade, acreditando tratar-se de uma garota cheia de “penduricalhos” nas orelhas e nos pulsos; dona de uma alma voluntariosa e sentadinha de pernas cruzadas, escandalosamente maquiada, inteiramente disponível e, à nossa espera. Mas não...A felicidade é observadora! É uma multidão inteira, de sorriso largo e maroto com olhos brilhantes e tão quietos que se falassem, diriam palavras simples, medidas e poucas, daquelas que nem precisam ser ditas, sabe? Quando o corpo simplesmente se expressa sem mistérios? Sem freios? Assim... Ela é clara como deve ser. Verdadeira como é. Inimiga das horas e presente na vida da gente por prazer não por escolha. Ela vem! Não precisa ser chamada. Tem rosto de anjo, atitudes celestiais e provoca na pele aquele calor liquefeito; aquele suor satisfeito que dispara o peito e tira da gente, o ar. Sim, ela existe. E eu a aguardo com a mesma calma que ela me trará.
Porque sei que ela virá....
Enquanto isso as dores vão se curando, o coração vai cicatrizando, o corpo se fortalecendo...
A alma vai voltando a ser menina...
E a cabeça, uma mulher!
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Cris
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19h41
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Quando vem a noite, a porta da alma da gente é aberta. O coração aperta, as dores ficam mais claras, as tristezas maiores e as lembranças mais nítidas.
E a saudade, então? Chega a ser indecente!
Teu cheiro, mais intenso...
Teu gosto, mais doce...
Tua ausência, mais presente e tua presença, absurdamente ausente.
É com certeza à noite, que eu mais sinto a tua falta...
À noite, definitivamente, você deveria estar aqui!
Aqui, entre meus braços, meus livros, meus discos e meus lençóis. Até mesmo entre as gotas que me brotam e me rolam dos olhos pelas faces. Sim....É choro! E eu choro porque chorando é quando eu consigo rasgar as minhas carnes, chegando aos meus ossos para tentar removê-lo de mim. E, ainda assim, seus sorrisos continuam ecoando em meus ouvidos, fazendo todos os sentidos. Teus dedos estão em meus cabelos, enroscados nos fios, vertendo nascentes de rios de gemidos e lágrimas, tão comuns e pessoais. Tão sensuais.... Tuas mãos, pousadas no meu peito, daquele jeito leve e tão teu que ao correr pelo meio dos meus seios, vai dos mamilos até minhas costas, arrepiando a pele em propostas veladas até as minhas coxas fazendo com que meu sono passe, irremediavelmente, bem longe de mim. E é enlevada nessa espera que é doce (quase um desapego), que choro e falo baixinho numa voz mansa de quem já conteve o próprio desassossego, imponho limites aos meus medos, como quem já cicatrizou todas as dores, porque o amor que existe em mim é qualquer coisa de muito maior do que tudo o que sobrevoa os céus e sobrevive à pequenez de sentimentos, tão comum aos homens.
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Cris
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21h29
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“...Nas costas, a aspereza cinza da parede...
O desejo!
Na boca, o beijo...
A sede!
Pelos braços deslizam as alças...
Pelas pernas, escorrem as calmas...
Quando entre seus dedos, eu preencho as palmas, da nossa vontade pura!
Meu corpo arde, sem segredo...
E não há medo que me acovarde.
Sua mão treme insegura e me segura, aperta meu seio, desliza para a cintura.
Escorre pela coxa, pelo meio e, entre as minhas pernas, me procura...
Nas minhas costas, o seu peito roça, um dos corações dispara: não importa qual...
Então, sem aviso, tenho o que mais preciso:
Na minha nuca, refazendo a trilha sua boca vibra, sua voz geme, minha carne treme...
Eu me arrepio..
E eis que a vida brilha!
Os pecados, despertos, fazem festa porque hoje, a inocência foi dormir mais cedo...
E eu amo esse seu desejo suicida que faz um mar do meu corpo prá naufragar em seguida. ”
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Cris
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09h01
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“.....É só eu ficar quieta, ouvindo das músicas que ouvíamos juntos, que uma saudade doída chega mansa e aperta meu coração, numa dorzinha gostosa, sabe? Aquela falta de alguma coisa, alguém ou algum lugar que você não conhece, mas onde se reconhece. Entende? Aquela solidãozinha que me faz fechar os olhos, cruzar os braços e abraçar a mim mesma, sem tristeza. Com pureza e saudade! Uma nostalgia tão íntima. A falta fria, de colo. Daquele colo. Do seu. O corpo todo reagindo, sob o efeito da sua falta. Um monte de coisas borbulhando por dentro. Os olhos fechados visualizando você...E você vem prá mim.... Deita-se ao meu lado deslizando as pontas dos seus dedos pela pele das minhas costas, abrindo fendas, pelos e poros. Vem trilhando caminhos. Amadurecendo rimas... Afasta os meus cabelos da nuca pra roçar o seu queixo e eu sinto a barba por fazer e a sua respiração no meu ouvido, saindo feito gemido...Um sopro de vida entrando em mim. E, desajuizada, apaixonada e mansa, deixo que com o braço e num único movimento você leve meu corpo em posição de feto pra dentro do afeto da concha do seu corpo. E ficamos ali, desabotoando as nossas almas e alimentando os nossos corpos de nós mesmos, desamarrando todos os sentimentos. Tudo nesse momento é movimento e entrega e eu me confundo tão perfeitamente com a música que toca, que quase me transformo numa melodia dessas que soltam suas notas pelo ar e rodopio, porque algumas músicas tiram mesmo nossa alma pra dançar...
E é tudo tão mágico que você quando vem, sequer me acorda.
Você chega de mansinho e entra no meu sonho...
E nestes momentos, para te sentir, basta que eu me toque..."
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Cris
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08h56
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Ela anda inquieta, preenchida das suas fraquezas e delicadezas bordadas nos olhos das meninas dos seus olhos, que enxergam além dela, as próprias inseguranças. Sua vida, que nunca esteve tão impaciente, segue em frente emoldurando uma tela antiga e escura onde ela posa parada, olhando e rezando, confusa, uma oração na qual pede o resgate de todos os seus sentimentos e busca resquícios de um segundo de aconchego e de calma. E como se não bastasse, ela mantém tatuadas na pele as mãos e a boca daquele homem, depois da sua partida, mesmo muito antes da sua chegada. Sua solidão é embalada por ventos fortes que invadem a sala numa rajada única; ventos frios de mais um outono que chega e parte, completamente cinza, partindo-a em milhões, rasgando sua alma em pedaços. Desfolhando-a, inteira. E desde então, ela vem vivendo de sentir a presença dele viajando em seu sangue. O cheiro doce da tímida resignação gritou denso dentro dela, misturando-se numa cegueira entorpecida e o amargo ranger das portas do mundo que foram fechadas às suas costas, abandonaram-na pra trás e por instantes ela sequer soube se deixaram uma benção ou se levaram com elas, as maldições. Ah! Se os dias dele ainda fossem dela.... Quem sabe houvesse cura praquela loucura, tão branda. Mas não são! Nunca mais serão...E hoje, aquelas árvores, cujas sementes eles plantaram, juntos, seguem florescendo desencantos incessantes em plena escassez de cores e prantos, dando-lhe uma única certeza: os dois se perderam ou estão por perder alguma coisa muito valiosa, em algum lugar....
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Cris
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10h22
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“...Um dos momentos em que mais me exponho é quando você sai do meu sonho e entra no meu banho, tira a sua roupa e me olha, inteira e demoradamente. Toca a minha cintura com as mãos espalmadas, aproxima-se da minha boca que agoniada, bebe da sua como se provasse um mel, um néctar ou o suco de uma fruta, tenra e madura. E, ao sentir seu tremor no meu, eu saio da sua boca e ajoelho-me debaixo da água que cai sobre minha cabeça criando assim uma moldura, prá uma pintura onde só falta a cor principal: você! E você vem...E eu te tomo nas mãos e nada à partir daí, me passa despercebido: o som do seu gemido, o calor da sua pele, a textura dos cabelos. O arrepio dos pelos e a ansiedade das mãos. O desenho do seu rosto, no instante em que eu quase sinto o gosto tão esperado do seu prazer. Os braços fortes que me levantam...A língua que me cobre, sacia meus lábios, lambe meus delírios, prova das minhas viagens...E volta! Levando-me ao meu inicio e me recriando. O cheiro que exala da sua boca, nos momentos em que você me toma e me deita... E me toca...E se ajeita... E me deixa como louca ao me fazer perder o juízo enquanto eu agonizo nos seus braços e você geme entre as minhas pernas, prá em seguida fechar seus olhos, pousar no meu colo e gozar da calma do meu sono num abandono tão próprio de quem ama tanto. Portanto, ainda que eu tenha que ir e vir, chegar e partir, hei de me lembrar de tudo: do seu gosto, seu cheiro, seu toque e tudo o que você é...
Porque o meu amor é minucioso... Não é um amor qualquer.
É abusado...
Cuidadoso...
Curioso...
Escancarado...
E para viver esse amor, foi que eu nasci mulher..."
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Cris
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13h27
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"....Do seu colo o mundo parece tão calmo e sereno, como brisa de verão que
aquece e doura-nos a pele, tatuando-a de boas lembranças. Do seu colo, a vida
assemelha-se a um doce mar de ternura e de esperanças, no qual poderíamos
navegar sempre e para sempre, sem receio algum de naufragar. No seu peito é
onde minha alma é tocada por estrelas, por sentir-se no céu. No seu abraço
tudo me parece diferente. Tudo se torna belo e acolhedor e o horizonte parece
um tremendo sorriso que ilumina mais que qualquer sol. Dos seus lábios, as
palavras escapam mais livres. Mais certeiras e verdadeiras, na medida em que
atingem o meu corpo, feito ferro em brasa, para em seguida transformá-lo...
De agonia, em paz... Do seu colo, do seu abraço ou de qualquer outro lugar
desse mundo, eu te amo....
Definitivamente.”
:: Postado por
Cris
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07h42
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"Essa é mais uma noite, em que vejo minha vida como se fosse feita
de ventos, desses cortantes....E frios, como os que habitam rios e
despenhadeiros. Uma noite de breus e sombras de velas que queimam
em bicos caóticos de fogo. Uma noite em que o medo de perder entra
escandalosamente manso, deita-se aos meus pés feito um bicho negro
procurando abrigo sobre um tapete de pelos macios e a solidão desce
quente e cortante como um gole de água ardente. Tento distrair meus
pensamentos que agora, dificilmente me obedecem e consigo pensar
que em algum lugar há mães embalando seus filhos e sorrindo pétalas
de flores. Há mulheres e homens em seus leitos, amando seus amores.
Desisto de fugir desse tormento que é tão meu e acaricio a gata que
ronrona deitada sobre o meu peito.. (tão sozinha quanto eu...) e duas
lágrimas grossas deslizam, resignadas. Deposito a gata no sofá ao lado
da cama que me espera, com seus grandes lençóis brancos e macios,
abertos e vazios. Tomo mais um gole de vinho que me arde na língua e
na garganta e uma tristeza que se agiganta desencadeia mais lágrimas
e me beija, desejando-me bons sonhos...."
:: Postado por
Cris
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07h49
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Prometo, querer-te hoje e querer-te sempre, cotidianamente, nessa
paz que é sua e nessa estrada por onde passo e me perco nessa mão
dupla, cujos sentidos únicos e comuns, somos nós. Só nós...Nessa paz
que me acalenta e impulsiona enquanto eu te busco, nas guerras que
deflagro contra os meus próprios medos... Ou quando exercito meus
desapegos e sinto a teimosia do meu peito, ao recusar-se a esvaziar. A
sossegar. Prometo não tentar ser perfeita, prá que, ao tomar-me pelas
mãos você me conduza, eleita e satisfeita, na busca dos meus inteiros.
Prometo-te ser mulher...E ser melhor! Ser sedutora e entregue, mas
também prometo saber fazer-me pequena e menina. E, quase santa,
ser a sua sina. Prometo-te a pureza das mãos e dos seios. Prometo-te
saciá-lo em seus anseios de poros e ventre prá que nos seus devaneios
possa me buscar e encontrar em mim, todos os prazeres, as dores e
todos os prantos. Prometo-te galanteios....Prometo enfim, ungir meus
pés com óleos santos, prá livrá-los do pó do tempo em que errantes,
meus passos vagavam perdidos e descrentes, por não saber-te meu.
*
:: Postado por
Cris
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08h12
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Esferas de luz clareiam o céu da minha boca, quando você me beija.
Milhares... Milhões de estrelas caem sobre mim, tocando-me a pele
enquanto rios perdem-se por entre as margens dos meus lábios,
deixando abandonados, todos os seus leitos. Uma mistura de sangue
amontoa-se e corre-me pelas veias, gritando em completo atropelo,
velozes e sem saída, aquecendo o meu corpo inteiro. Todas as farpas
do mundo instigam-me a pele... Todos os frios eriçam-me os pelos no
exato momento em que você chega, afasta as minhas pernas ...E o
toque da sua língua se dá! Meus sentidos enroscam-se e entorpecem.
Eu fecho os olhos quando sinto tua mão acariciar, atrevida, o meio da
minha vida, fazendo-me serpentear no seu peito, pedindo meio sem
jeito que essa tortura sublime não termine nunca, enquanto eu ardo...
Febril!... E eu me dou conta da chama que me consome de fome e de
sede, ao mesmo tempo em que me extasia feito uma magia, enquanto
você me toca! Todas as intempéries, os tumultos e inúmeras revoltas
emocionais desencadeiam-se dentro de mim, enquanto você me toca.
Alteram-se os minerais, os sais e os "ais" dos temporais; e as energias
consomem-se sozinhas, tamanha é a força da paixão, nos momentos
em que você me toca. Eu perco a noção exata do quanto me abençoa
esta dependência. Do quanto você preenche minha carência e das
queimaduras que me causam o toque da tua pele; e dos perigos aos
quais me exponho, quando você me toca. Da escuridão que explode em
festa. Da noite que amanhece numa seresta feita de versos escritos e
rimados pelos suspiros enamorados e pela certeza de que meu lugar é
aqui, bem dentro do seu abraço. Tudo isso, quando você me toca...
*
:: Postado por
Cris
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21h41
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Caminhe do meu lado por estas estradas que me levam nem sei bem para
onde. Acompanhe-me sempre bem de perto e guie-me por este nevoeiro que
não se dissipa.. Nunca! Afaste com o teu sorriso as nuvens que escondem o
sol... Transforme, com uma simples caricia em meu rosto as lágrimas que
caem, em chuva miudinha, daquelas que mata a sede da natureza e deixa tudo
mais verde, com mais esperança, sabe? Com cheiro de primavera! Olhe-me nos
olhos e, com o brilho do teu olhar, pinte os tons do arco-íris e faz de tudo o que
nos rodeia um quadro de mil e uma cores. Segure a minha mão. Vem... E leve-
me contigo para um sonho teu. Devolva-me a magia perdida e faz-me nascer de
novo para a poesia da vida..Entrelace teus dedos nos meus e aperte-os com
força. Não permita que a esperança escape por entre os meus dedos, deixando
de novo minhas mãos frias e vazias... Dê-me a tua mão... Invente um sonho
para mim e prenda-me num abraço eterno e infinito onde eu possa finalmente
descansar... E sonhar! Guie meus pensamentos para o mundo mágico das
emoções e, nele, segure-me em teus braços numa dança suave feita dos mais
doces sons e sob os mais variados tons, embale-me na melodia de uma canção
há muito esquecida, que teima em trazer saudade. Percorra comigo o caminho
da razão sem razão, da lógica sem lógica; mas dos sentidos cheios de sentidos.
Desnude o meu sentir, a minha dor, a minha alma..Tente me entender sempre
e complete-me para que num instante, eu encontre o meu caminho... Porque
só no encontro das almas e na troca de carinhos é que a vida se torna vida...
E se faz!
"Dê-me a tua mão e arranque com ela esta agonia que eu levo no peito, porque
só deste jeito eu poderei tocar tua alma...."
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Cris
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09h31
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.......Deita-se ao meu lado, suado e ofegante enquanto eu fecho os olhos
por um instante, a face direita colada em seu peito e nossa respiração que
é o único som perceptível no quarto, agora mergulhado no mais absoluto
silêncio. Um restinho tênue de sol invade tudo num filete de luz de um tom
alaranjado, desses de fim de tarde, atravessa as cortinas e penetra pelo vão
da janela, clareia, estampa e ilumina nossos corpos nus, abraçados, cansados
e entregues. Quero abrir os olhos. Espero alguns segundos, retardando esse
prazer ao imaginar o que eles irão encontrar. Mas eu sei...Irão enxergar um
homem que é um rio e suas margens e que em cuja extensão, profundidade
e saciedade eu nasço, morro e ressuscito mil vezes, no final de cada ato...De
amor! Um homem sem nenhum recato. Sem o menor pudor. Abro os olhos
e bem dentro do seu olhar, vejo uma certeza da qual eu ainda não desfruto.
Mas, apesar de tudo e em poucos segundos, sou capaz de entender todos os
mistérios da alma desse homem; decifrar todos os enigmas e impregnar-me da
sua mais absoluta essência e completude. E é justamente aí, que dentro do
meu corpo alguma coisa muito única dói. Quase corrói! Vem e preenche tudo;
emociona e ameaça romper-se, espremendo todos os sentimentos do mundo
dentro do meu peito, provocando uma emoção que nasce e se agiganta e que
tentando escalar minha garganta, enternece meu coração permitindo que um
sorriso incoerente brote dos cantos úmidos da minha boca. Assim, feito planta
inocente. E ele me olha, diretamente, enquanto eu, toda sem jeito, leio em
seu rosto uma felicidade tão simples, branca e tão sem fim, assim como o
meu seio, que se aquieta agora, cativo e satisfeito, sob sua mão. E deitado
entre as minhas pernas, ele me observa seguro e bem lá no fundo dos meus
olhos como se diante de si estivesse a sua maior obra de arte: uma mulher
plena, absoluta, indelével, realizada e definitivamente feliz...
:: Postado por
Cris
às
10h01
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E é como se a minha pergunta respondesse...
O que o ventre da sua resposta perguntasse...
É como se eu te ouvisse e compreendesse...
E te entendesse caso coragem lhe faltasse...
É como se me arranhasse e não ferisse...
E anulasse tudo o mais que eu sentisse...
Assim como se um dos seus poros parisse...
Minha alma em cada gota que suasse...
É como se a sua língua me provasse...
E o gosto fosse o gosto de um só gosto...
E o fogo não soubesse em qual rosto...
Esse rubor fosse desejo e avermelhasse...
E sem que me pedisse, eu me virasse...
E recostando na parede eu me abrisse...
Com sua mão a minha coxa agarrasse...
E a outra ao meu pescoço pertencesse...
E o seu beijo em minha boca deslizasse...
E a sua língua dentro dela se perdesse...
E enquanto ela subisse a mão descesse...
E a sua mão a minha coxa invadisse...
E o joelho entre minhas pernas entrasse...
E dentro delas o seu corpo se encaixasse
E o meu beijo o seu desejo acendesse...
E tudo o que não fosse beijo se anulasse...
Enquanto a boca mais ainda se entregasse...
E o toque no pescoço se assemelhasse...
À boca que pulsasse e que gemesse...
E o mais só sussurrando, sussurrasse...
E sem que se dormisse, mais sonhasse...
E sem que só sonhasse, muito amasse...
E quanto mais se amasse, mais vivesse!
:: Postado por
Cris
às
09h53
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“A boca deste homem vem e me cobre.
Sacia meus lábios, busca minha essência e me desbrava.
Lambe os meus delírios...
Ajusta-se à mansidão dos meus rios,
amando-me...
Muito mais do que eu esperava”.
Prova das minhas viagens (comigo) e volta. Vai do meu fim ao meu começo,recriando-me em flor, adereço e purpurina...Mulher, dama, cama, drama, senhora e menina. Em amor, enfim... Homem que começa e termina entre meus campos mais floridos e meus caminhos mais ousados. Flutua sobre meus sorrisos desajeitados; meus gemidos barulhentos, infantis e desafinados.. Autoriza meus atrevimentos. Homem que não diz o que quer ou a que veio. Dissesse, e eu me entregaria... Toda! Inteira...Daria as minhas forças. Daria meus suspiros mais íntimos e inquietos... Daria os aromas que o corpo espera e os sussurros que o desejo implora. Daria as minhas fantasias, nas quais ele preenche o meu tempo, meu colo, os meus seios e a minha cama, nas minhas noites vazias. Mas não! Ele não diz: ele toma! Ele explora...E é urgente. Indecente. É completamente incoerente. Chega, acomoda-se entre as minhas pernas e é bailando a alma sobre a minha intimidade que, com a maior naturalidade, exige a minha essência na sua. E abusa das mãos a me despentear, a me alisar e a me descobrir. Sua boca me chama por nomes vulgares ( mas tão poéticos..) e, depois de horas vividas sem nenhuma pressa dentro das minhas carnes e da minha boca, eu entendo sem uma palavra ou qualquer promessa, a certeza de que este seu gosto há de ficar em meus lábios, perpetuado. Seu calor, na minha pele. Seu cheiro no meu olfato e este amor desatinado, na minha alma, prá sempre
:: Postado por
Cris
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09h39
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...."Solta a branda voz de quem já conteve o próprio desassossego. Põe limites ao medo, guardando-me contigo neste peito que já cicatrizou tantas dores... Tanto desapego. Porque qualquer coisa em você sobrevoa, sobressai, sobrepõe-se e sobrevive à pequenez do comum nos homens. És tão maior...Tão intenso...E nem desconfias.
E gostar-te tanto quanto gosto é ver-te assim...
...imenso!”
E que a partir deste instante essa força que vem de você caia sobre mim feito vento, intenso e forte... Que seja meu norte e abrace o meu corpo, inteiro...Que alimente esta labareda que traça o seu roteiro no meu peito e que o calor provocado por ela aqueça esse meu coração que até então, vem sendo alimentado por qualquer sentimento derradeiro. Completamente desencantado. Que esse vento faça aflorar em mim a nítida lembrança das nossas melhores noites e dos meus melhores sonhos e que eu me desfaça dos longos silêncios que tornaram meus dias mornos, vazios e enfadonhos... Que eu flutue ao sabor desse vento, acariciada pelo sopro morno da sua boca, urgente e carente de novos e doces sentimentos... Que o tardio reflexo dos momentos de felicidade (em meu corpo e em minha alma), acalente minha saudade... Que o vento (que vem de você...) restaure a minha essência...E que seja em breve...
Que você me chame...
Que me espere...
E que este mesmo vento, me leve!
:: Postado por
Cris
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09h41
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Não a culpe pela doçura que ela perdeu! Pelas lágrimas que não derrama mais
ou pelo sorriso limpo que secou nos cantos daqueles lábios que amaram tanto.
Nem deve acusá-la pelo gelo em que se transformou. Não! Você não pode! Até
porque não entendeu, da última vez em que ela se entregou, o quanto estava
inteira. Como fora verdadeira! Você não percebeu que a metamorfose pela qual
ela passou em suas mãos, agiu sobre a crença naquele amor, como que num
diálogo infinito de almas. Os olhos brilhavam muito, sempre. Mesmo enquanto
semi cerrados, naqueles momentos em que ficava absorta e mergulhada nas
suas palavras e pensamentos. E era pleno o sorriso que ela exibia. O jeito meigo
e manso...A fé na vida que trazia. Ela toda, enfim, reluzia! Mas o que dizer
daquele dia tão pesado que ela ainda carrega consigo nos olhos e daquela noite
turva que não finda nunca, incluindo esse vazio que hoje ela é e que formou-se
depois de tudo isso? Depois que você, tão despreocupadamente, deixou naquele
quarto tudo o que ela possuía de mais sagrado e entregou-lhe! Não...Não pode
culpá-la. Não você...Talvez ela acredite nesse amor, ainda...Talvez, naquele
momento, ela esperasse mais...Talvez até ela ainda o carregasse muito inteiro
e perfeito dentro dela. Talvez ela ainda fosse sua; mais sua que dela mesma,
como sempre fora e seu sangue corresse mais nas suas veias, que nas dela.
Quem sabe ela e apenas ela entendesse aquela força que vinha de dentro de
você e que a livrava de quaisquer constrangimentos. Talvez ao seu lado ela
tenha podido ser verdadeira sob sua coragem e proteção, que a libertavam de
todos os medos e de todas as vergonhas.. Talvez neste seu colo, ela tenha
podido mostrar quem era e onde realmente lhe doía. Mas, talvez ela não tenha
tido tanta coragem de gritar e conteve-se, esperando... Talvez, se ela tivesse
descido do salto, lançado um berro alto, levantado a saia, ou cobrado atenção
exigindo o cuidado e a clareza que sua boca nunca expressara... Se tivesse
permitido que você a olhasse de frente, talvez tivesse acreditado naqueles
olhos; talvez isso tivesse sido suficiente. E, quem sabe agora, ela ainda
estivesse inteira..
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Cris
às
09h08
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Pousa a boca sobre meus lábios e pede com o canto dos olhos prá que eu não
diga nada...E é quando acontece o beijo! Beijo que a princípio nasce manso e
demorado... Depois fica aflito.. Urgente e exagerado! E vem mais outro... E tua
língua desliza entre os meus dentes... Perdida, completamente... Passeando e
invadindo a minha respiração... Levanto a cabeça e olho dentro dos teus olhos;
dentro da tua alma... E com os dedos desenho um coração convidativo, que
contorna a tua boca e que me leva a um estado de suspensão. De espera. Eles
(os teus lábios) agora entreabertos, sugam meus dedos um a um como quem
quer extrair assim, toda a energia que existe dentro de mim...Teu toque me
arrepia! E irradia uma energia que invade os ossos e me amolece. Toda! Tua
saliva umedece, aquece e queima a minha pele e os teus dentes mordiscam
as pontas dos meus dedos e desnudam-se num sorriso único ao som do meu
gemido. Meu corpo reage e resume-se às minhas extremidades. Aos dedos
entregues e oferecidos que invadem tua boca que por sua vez, explora as
linhas, as dobras, as carnes e lambe as unhas. E às minhas intimidades, onde
agora, uma palma morna e suada, apalpa e abre; reconhece e explora.
Teus dedos percorrem minhas frestas, enquanto outro punhado de dedos,
agora meus e famintos como os teus, afasta tuas pernas e tateia tuas carnes
que respondem, quentes e endurecidas. Neste momento eu já não sou mais
nada que não seja corpo, boca, pele, pêlos, língua e boca. A tua boca! A vida
brota das minhas entranhas e eu sinto o ar das tuas narinas contra a pele
úmida da palma de uma das minhas mãos enquanto um animal faminto e
atrevido se esfrega à outra que o aperta, enquanto ele se acomoda contra o
meu corpo, pedindo eu o satisfaça. E nós dois nos transformamos numa festa,
explodindo na escuridão. Numa noite que amanhece em verso. Somos, juntos,
o Universo! Somos a essência de um só hálito, explodindo sob um luar pálido
que permite que por alguns instantes, em suas mãos, em sua vida e dentro da
sua boca, eu seja eternamente feliz....
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Cris
às
14h35
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Eu te amo!
E, por amar-lo tanto é que talvez eu te duvide...Que te desacredite! Então...
Olho nos seus olhos; sonho os mesmos sonhos e penso muito. Recolho-me.
E você faz o que? Você vem! E sorri! Enche os meus cabelos de carinhos.
Tira um por um dos espinhos escondidos entre os cachos. Põe uma amora
doce do mel da sua boca sobre a minha e acalma meus olhos com sua
sinceridade atrevida. Pega a minha mão morna e úmida de ansiedade com
a sua, mostra-me que a parte melhor da minha história ainda está por ser
escrita e leva-me contigo por sobre as nuvens. No céu. Eu então sem largar
da sua mão, entrego-me numa vaga lembrança de tudo aquilo que fui
compondo entre os sustos, medos e desassossegos, trazidos de uma vida
que vivi antes... Antes que seu gemido se embrenhasse em minha alma
pelo meu ouvido. Antes que os seus dedos me prendessem pela raiz dos
cabelos. Antes que o calor da sua pele vestisse e agasalhasse o meu
desejo. Entrego-te a mulher que eu fui para que me tome nos braços
e me conheça antes que o dia amanheça; que a metamorfose aconteça,
que eu esteja toda aberta e desfaleça em botões e em pétalas desfolhadas
sobre o seu peito....
:: Postado por
Cris
às
15h46
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“...Ser um corpo sem alma,
E ser o avesso da calma.
Ser o outro lado do espelho.
Ser pele, coxas, libido e poesia;
Lábios, saliva e empatia.
Viver enfim este sonho...
Eis o que te proponho!”
Porque arde e queima dentro de mim, o desejo de buscá-lo nas noites em que
ficas escondido, arredio da minha presença. Porque vivo você! Porque começo
onde termina seu silêncio e termino exatamente onde cala a sua voz. Então,
ao som de um saxofone em tons de jazz e, na mistura dos cheiros doces dos
nossos corpos é que meus seios perdem-se na secreta intimidade dessa sua
língua e deliciam-se com o abuso apurado dos seus dentes, indiferentes aos
descompassos do meu peito, que perdendo o jeito faz-se calmaria, porto e
remanso pra receber o descanso do seu cansaço, acomodando seu braço
sobre meu ventre, permitindo que você me entre e que assim, o amor se
faça na sua essência mais pura, feito fruta madura a saciar nossa urgência. E
na intimidade desta magia, na branda intranqüilidade deste desejo é que
você se confessa cativo e eu me resgato, inteira.
" Por que? Porque eu estava apenas indo, até você chegar..."
E essa é a história da minha vida!
:: Postado por
Cris
às
03h23
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Obrigada pelo carinho, Ilka! É uma honra receber esse prêmio do http://www.segredosdos2.blogspot.com e ser lida por você, querida.
Um beijo grande e toda a sorte do mundo!
:: Postado por
Cris
às
08h41
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No meu peito brisas são rosas cálidas
Que brotam da calmaria feito passarinho
Crescem e urgem devastando caminho
Caindo do ninho em marés encantadas
Bailam encharcadas em amor e poesias
Tal qual navegantes em águas bravias
Que inundam o céu, ao parir ventanias
Condenando as noites a deflorar os dias
Desabam de nuvens em mágoa sem fim
Rebelde tormenta anunciando o inverno
E eu faço das águas do céu meu inferno
Bebendo nessa chuva cada gota de mim.
:: Postado por
Cris
às
11h48
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O único espaço ao qual realmente pertenço é este, entre tuas mãos, que me
envolvem contra o teu peito. Não tem jeito...Nos teus lábios que me recebem
com todos os sorrisos. Ou serão risos?.... Não importa... Vem você e esta
boca que não se comporta...Que me trinca quando me beija e me faz perder o
medo de arriscar, jogando-me pro alto, em busca das descobertas dos sentidos
que vivem e habitam lugares onde não quero mais deixar de estar. E é neste
seu olhar tão reto e tão doce que eu me aqueço por onde quer que eu me guie,
quando a vontade de você é mais forte do que a necessidade de partir. E é nele
que eu fico sem culpas, apesar da certeza de que deveria ir.... Amar assim é um
sentir enlouquecido... Quase perdido em meio a passos miúdos. Uma dor fina
que me alegra, mas me abate com a distância. Não há constância...Não há
pesadelos nem tremores, neste amor...Apenas os da saudade, que me molha
os olhos e me alonga os cílios em busca de tua imagem. Qual é a vantagem? É
a insistência do teu sorriso em minha mente...A permanência da quentura e da
urgência da tua boca em minhas entranhas... Um querer profundo, feito o brilho
cego de uma lâmina que corta meus instintos...Um arrepio que chacoalha meu
coração, enquanto tua língua tatua teus gemidos por todo o meu ser! E eu me
pergunto: o que fazer? Então, eu me apego às lembranças felizes e na vontade
do tempo urgir. Rápido e veloz... Os meus olhos em seus retratos pontuam
minha melancolia acabando por mostrar-me quem você é: todo o pouco (ou
muito) que representa. E a dor vai passando..Vai ficando para trás, tal qual as
águas de um moinho. Seu nome ilumina meus olhos... São como diamantes e
estrelas na minha vida. Eu te busco em todo o canto, em cada recanto de
minhas recordações. E sorrio! E lamento...E expiro emoção, feito vento
morno que sai do peito e que desvia rio...E acredito nas voltas dadas pelo
mundo... E na certeza de você na minha cama, no meu corpo, na minha
vida. Por todo o sempre...
Amém!
*
:: Postado por
Cris
às
16h09
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Eu queria muito ser uma estrela... Assim, feito tantas outras, no céu de uma noite negra e infinita, prá não sentir essa saudade devorando minhas entranhas. Afinal, eu seria apenas mais uma, igual a todas as outras absolutamente tão desconhecidas e irreconhecíveis. Quem sabe então, eu pudesse ser compreendida. E meu mundo não seria esse breu... E minha música não seria tão triste...Assim, como que chorando pelo amor, que morreu! Hoje, passei o dia pensando numa maneira de entender a vida. Não numa maneira de entender a mim...Não! Até porque isso às vezes parece nem ter importância, diante do berro de angústia que explode no meu peito. Mas queria entender você! Queria mergulhar dentro dos seus “eus”, todos e te reencontrar entre eles. Resgatar momentos nossos e ver passarinhos onde caem pingos dessa chuva que congela tudo, clareando a incompreensão de um, pelo universo do outro. O amor é mágico...O amor é medo e é dor. E por conta disso, eu queria encontrar e puxar a ponta deste fio que nos separa e deixar correr solto entre meus dedos, o novelo que enrola as nossas vidas e, me esquecer em você...Tenho andado em praias solitárias nas quais os meus dias se tornaram e nos minutos em que piso na areia, sinto cada cascalho deste vazio que machuca e sangra meus pés. As lembranças que chegam em ondas, respingam desiludidas nas frias pedras da minha realidade num lamento sofrido de quem chama o amor de volta....E ele não vem. Minha casa hoje não tem flores. Nem tem mais jardim...As luzes se apagaram e eu já não me lembro mais do seu perfume. Estou perdida! Sem chão...Sem calor..Sem janelas. Só choro, tentando encostar meu corpo e me aconchegar neste vazio e no desânimo da minha entrega. E então me corta o peito uma dor fina, branca e fria como uma adaga que entra na minha carne deixando um buraco por onde vazam todas aquelas promessas não feitas e por isso, não cumpridas. A minha vida vem e cobra sua presença e é violenta a minha dor ao sentir que tuas risadas viraram ecos, ressoando dentro das minhas veias, formando teias que se espalham e entopem os meus espaços interiores, impedindo-me de sentir. Anestesiando tudo. E insiste a saudade....
De sentir-me uma ilha onde só você habita...
De saber-me tua e apenas tua...
Apesar,
...de saber-te teu e apenas teu.
:: Postado por
Cris
às
15h03
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"..Foi assim...
- Pára de rir, vai! Você só ri de mim...
- Mas eu não tô rindo de você... tô rindo prá você!
- Rio do que você fala.
- Dá no mesmo. Pára de rir...
- Você não gosta que eu ria?
- Não...Eu sinto medo!
- Medo?
-É!
- Eu me apaixono por quem sorri assim.
- Me apaixono por quem ri prá mim...
...ou era pra ter sido."
E o amor foi embora...Esvaiu-se, feito sangria. Escorreu, feito hemorragia. Feito galho seco, solto precocemente do tronco, num dia cinza de outono. Fazia frio no dia da partida daquele amor e os ventos, dentro do meu peito, batiam soltos ...bravios. Gelados e sem sono. Fazia frio no seu olhar castanho e miúdo e havia já a ausência inteira daquela primeira essência, que perfumou e coloriu tudo no primeiro toque e no primeiro olhar que trocamos. Naquele cheiro de pele e de hálitos mornos que se apresentavam entre sorrisos tímidos e beijos cheios de todas as vontades. E daquele seu olhar afoito e tropeçado e que parecia não ter fim. Mas teve.. Hoje, não consigo mais escrever. Ando irritada. Zangada e triste. E a culpa é de uma dessas histórias que não têm como ser resolvidas. Não há como.. Diluem-se, pura e simplesmente! Evaporam-se! Tornam-se apenas momentos, na vida.. E tudo o mais perde a importância diante do que vai sendo jogado fora... As palavras, hoje mudas, deixam-me assim... Mais carente... Introspectiva. Como se fossem pássaros, sem poder voar. Pássaros feridos, quem sabe... Daí, sinto que elas precisam criar forma, sair do anonimato e voar novamente através dos sonhos... Por isso escrevo... Por isso me exponho... Por isso permito que minhas emoções passeiem nessa velocidade alucinante e ganhem forma explosiva... Incandescente... Sou assim... Sem medo ou vergonha de dizer “eu te amo...”. E sem jogos ou malicias, entrego-me às emoções... Sem amarras... Crio asas... Alço vôo... Viajo por entre nuvens e estrelas, tocando a lua... Sou assim... Sou mulher, enfim... E com a saudade do que foi nosso, ficam o bem que nos fez e o mal que nos coube... As marcas, os atos e as palavras atravessadas...A insensatez! O grito que não dei e o último beijo que não tive. E a verdade que não ouviste porque nunca era o momento. E o tanto absurdo de sentimento, no medo que existe da saudade que insiste em sobreviver nos espaços que sobram na minha cama...Nos lençóis decentemente esticados...Na camisola sobre a minha pele e acima de tudo, numa intimidade que parecia absolutamente divinal, dentro de uma história que começou a ser escrita numa poesia rica em versos, rimas e vírgulas, essências e reticências, mas que acabou em mais um poema, daqueles, sem ponto final.
:: Postado por
Cris
às
22h21
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Descalça...
Um cheiro adocicado no ar, que não evapora...
Sua essência que não vai embora...
Das minhas pernas levemente esticadas..
Dos meus joelhos, afastados e sem jeito.
Tua presença continua neste quarto...
E eu, te sentindo no meu corpo...
Num dos momentos em que meu pé esfregava o outro, sobre as marcas da sua
presença vadia...
Enquanto minha camisa sorria, aberta sobre o meu peito.
Minhas emoções ainda em total descontrole!
Você, permanecendo depois da partida...
Sua mão, lisa, na minha coxa...
Revirando por completo, a minha vida.
Seu cabelo curto, negro e despenteado a roçar-me as virilhas...
O olhar, de um castanho-noite (quem sabe a nossa)...
Dentro do meu.
E na outra ponta da cama, eu.
E eu era toda paixão...
Toda entrega e coração, a saciar a minha (e a sua) fome...
E mergulhada na sua boca que sussurrava meu nome enquanto gemia sem
perceber, eu mais parecia uma menina sem teto que nunca tinha recebido
afeto, ou sido presenteada com tamanho prazer ...
:: Postado por
Cris
às
08h11
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Tocando-lhe a face, ela desembrulhou aquela alma e ao sentir o calafrio que soprava de dentro do peito daquele homem, percebeu então, a sombra da proximidade da perda e, apesar do vento exageradamente frio, sentiu a necessidade de manter aquela alma desnuda. Desejou aquecê-la, ela mesma...Precisava disso. Ele por sua vez, sentiu-se tão nu diante daquele par de olhos que esperava por uma explicação que a convencesse daquele final de amor tão prematuro, que sua face corou diante dela. E foi justamente nesse momento que ele percebeu que o rubor era comum e que também a despia. Que a colocava nua diante de todos os critérios, os preconceitos, as hipocrisias, os conceitos e quaisquer sentimentos que a tivessem levado pra longe deles.
Ao notar-se despida, ela então debruçou sobre o peito dele e colocou sua face na direção daquela brisa gelada que vinha do fundo da alma daquele homem querendo entender-lhe todos os segredos e com isso embora sem se dar conta, brindava, mimava e acarinhava o corpo dele com o dela, cometendo ternuras no seu espírito e tripudiando seus receios apertando com os seios o peito daquele moço...
Ele lutou disfarçando lágrimas nos olhos e fingiu indiferença... Tirou seus olhos dos dela e olhou pro céu...Ignorou sua presença...Multiplicou estrelas...Assoprou algumas nuvens...Segurou ventos com as mãos...Flutuou...Pairou rente ao chão e engoliu os soluços para ver se o tempo passava. Não adiantava! Então, o moço acabou se deixando aquecer pelo carinho daquela moça e derreteu-se, fluindo pra dentro dela.
E a moça que era só tristeza, agora sorria e era toda alegria sentindo aquele moço tão esperado entregar-se, escorrendo-lhe através das palmas das mãos, na direção da sua vida...
:: Postado por
Cris
às
13h43
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