
Digo não, mas lá de dentro ecoa um sim,
Tudo em mim está em perfeita contradição.
Sou a canção começando pelo fim,
O estopim com o qual acendo a escuridão.
Sou guardiã deste nada de onde eu vim,
Um folhetim não escrito pela mão,
sou clarão incontido no nanquim
e o latim desgastado do sermão.
Sou o senão em sinônimo de assim,
sou enfim, o meu sim dizendo não.
Nem sei se sou de fato ou sou de vento.
Ou se talvez eu só me sinta em pensamento,
neste espaço entre o lembrar e o esquecer.
Pois eu sou, sendo uma só, essa que eu tento
fazer dizer-me em outras tantas que eu invento,
que sendo eu, eu vou tentando eu não ser.
Escrito por Cris às 22h18
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Não sei como usar tintas, nem aquarelas,
ou óleos, pincéis ou cavaletes bonitos.
Só tenho as palavras, sorrisos e lágrimas
como ferramentas e essas mãos singelas,
de onde escorrem algumas frases e gemidos
com os quais me atrevo a pintar minhas telas.
Não brotam dos meus dedos, belas paisagens,
retratos fiéis, ou simples abstratos.
Saem sim, pedaços de mim e da minha alma,
colados às cores com que pinto as letras
que às vezes dizem tudo e outras, nada!
Apenas bobagens....
Imensas saudades...
E vou-me esvaindo em sentires desgarrados de mim,
Como se fossem hemorragias, em temas e versos.....
Escrito por Cris às 22h27
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....Mais que uma simples Lua,
...era um farol que iluminava a noite abafada e fecunda,
e conduzia os navegantes, em procuras constantes,
mesmo os mais errantes,
para qualquer praia...clara, em busca de paz, profunda.
Mais que um Sol,
era um astro que lançava seus raios imaginários,
ainda que quentes, amarelos e lendários
em alvos ora perdidos,
ora completamente dirigidos.....
...
(cont...)
Escrito por Cris às 09h26
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"Era o amor! Só o amor...."
E era preciso aquecer, ele dizia:
ainda que seus raios não refletissem, em resposta.
Era necessário iluminar, ele insistia:
ainda que isso consumisse todas as suas reservas de energia,
ainda que não restasse mais nada à sua volta;
E ele sorria,
sonhando sentir em sua áurea, passo a passo,
o calor do sol, sobre a lua, iluminando um coração em desatino.
E ela sabia,
como todas as Luas e pseudo-Luas um dia saberão:
que o amor é uma dádiva; e que o destino,
esse sábio senhor, sincronizador do tempo e do espaço,
ainda faria com que ambos se olhassem, com a devida atenção.
Escrito por Cris às 09h15
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"....Minha alegria não é o oposto da dor.
É só a intermitência dela....."
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Escrito por Cris às 07h05
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"Ama-me como à uma dama,
Mas deixa que eu permaneça profana,
Em cada estrofe escrita na cama,
Das nossas noites em claro.
Tento ser a que te desatina!
(Não? Então...) Deixa que eu seja tua nova rima,
A musa do teu poema... a menina,
E do teu verso, o melhor pecado.
E neste meu poema intimidado,
Em que a acidez da minha poesia,
Molha a tua boca com toda heresia,
Do meu veneno imaculado...
Vem! Deita do meu lado...."
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Escrito por Cris às 06h47
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Nesse momento, o encanto se quebra
dentro dessa arritmia de palavras!
A interna e falsa promessa..

que o verso desconversa...
e cala nos desejos dos corpos, sem pressa.
A total falta da rima
na sintaxe desordenada;
a métrica irregular e perdida,
que adormece entre os poemas, encantada..
Escrito por Cris às 07h37
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(cont..).........O que fomos nessa poesia?
O fim de uma estrofe que ajoelha
e implora mais uma linha à terminar;
para não se sentir tão ímpar
noutro soneto que definha sem par.
Um título no poema, sem concordância,
no topo; e sem ponto inicial!
O rascunho de um encontro,
do qual
só se conhece o final.
Escrito por Cris às 07h36
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Um brinde*...
Sou eu: pálida...
É ele: vinho: tinto...
Enchendo a taça ácida...
do mais inebriante instinto.
Sou eu: sede...
(e verto, indiscreta).
É ele: brinde.
(não resiste e interpreta...)
Sou eu: rubra...
É ele: místico.
Ambos numa úmida mistura...
Do sabor mais cítrico.
Sou eu: escandalosa...
E ele: silencioso.
Num tilintar que afoga...
No mesmo instante, o mesmo gozo!
Escrito por Cris às 07h14
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...Sou aquela que seduz a lua,
pra que me ilumine enquanto danço, nua,
mas que nunca, numa destas noites,
... permita eu me apaixonar!...
(Imagina!...rs*)...
Escrito por Cris às 15h08
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...Sou a que canta na tua rua,
Ao cobrir-me da verdade mais crua,
E ao despir-me para te conquistar.
Que te encanta a alma e te despenteia,
Que te alivia a dor, e (por que não?) te tonteia,
Que te droga e doma, por te desejar.
Falo manso; mas se pedes, por um momento,
Passo a ser abrigo e assim como num encantamento,
Posso atar-te em sítio, ou te libertar....
Escrito por Cris às 14h39
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...Mas... Se esbravejas, ao gritar meu nome
Enfim, se te consomes de raiva, ou fome
Te encosto num canto; te domo de novo
Zombo de tua fúria! Sou dona da festa
Te faço refém! Te agarro na praia
Te engulo no lago... por baixo da saia.
Te pego...
Te escrevo em meus veios
Desnudo meus seios
Te dobro os joelhos (faço delirar!)...
Escrito por Cris às 14h35
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....Sou também o dia que te pede o canto,
Sou, na noite, o manto,
a espantar teu frio.
Sou a brisa leve que te sopra o rosto,
Te alimenta com o gosto,
do adorável cio.
A que faz teu pranto transformar-se em riso
E, se for preciso, a que te levanta.
Que adivinha os sonhos, te alimenta o vício
Que te dá o início, a que te acalanta.
Até que te canses... Que descanses no meu abraço
Mas, antes, te laço
pra recomeçar!...
Escrito por Cris às 14h31
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....Meu poder confunde o distinto moço?
(que se joga ao poço pra me decifrar)?
Sou mulher, - bem sabes! Puro sentimento
Mistério que o vento
não há de revelar.
Sendo assim, descansas dessa brava agonia
E ouve a minha melodia
sempre a te guiar.
Me vira do avesso a alma
ao som de um bolero, me acalma
que é essa a mulher que com maestria
Sai pela vida afora, à te homenagear.
Escrito por Cris às 14h17
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