É como se a pergunta respondesse...

 

E o ventre da resposta perguntasse...

 

É como não se ouvisse e compreendesse...

 

O mínimo sinal que lhe faltasse...

 

É como se arranhasse e não ferisse...

 

E anulasse tudo o que sentisse...

 

É como se dos poros se parisse...

 

A alma em cada gota que suasse...

 

E o gosto fosse o gosto de um só gosto...

 

E o fogo não soubesse de qual rosto...

 

E sem que se pedisse, se virasse...

 

E recostada na parede se erguesse...

 

     Uma mão que sua coxa agarrasse.....

 

(continua...)

 

Escrito por Cris às 08h27
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E a outra ao seu pescoço pertencesse...

 

E o beijo noutra boca deslizasse...

 

E a língua dentro dela se perdesse...

 

E enquanto ela subisse, a mão descesse...

 

E a boca nesse beijo se molhasse...

 

E o beijo nessa boca mais bebesse...

 

E o que não fosse beijo se encostasse...

 

E a boca mais ainda recebesse...

 

E o beijo no pescoço assemelhasse...

 

Da boca que pulsasse e que gemesse...

 

E o mais só sussurrando, sussurrasse...

 

E sem que se dormisse, mais sonhasse...

 

E sem que só sonhasse, muito amasse...

 

E quanto mais se amasse, mais vivesse!

 

 

**

Escrito por Cris às 08h26
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"...E eu disse à ele: só o que eu tenho pra te dar é colo!

 

 E todo o amor que transborda em mim....

 

Até que nada mais doa em você, assim..."

 

 

 

...E ele deitou-se ao meu lado, com os dedos deslizando pela pele das minhas

 

costas, abrindo fendas e poros, tecendo caminhos, amanhecendo rimas.


Afastou os meus cabelos da nuca pra roçar o seu queixo.


Eu sentia a sua respiração no meu ouvido; um sopro de vida entrando em mim.


Desajuizada e mansa, deixei que com o braço, num único movimento


ele levasse meu corpo em posição de feto pra dentro da concha do corpo dele.


Naquele encaixe, com o nosso melhor calor, ficamos ali,


desabotoando fomes, desamarrando sentimentos.


Meu coração estava na boca...

 

esperando o beijo....

 


E ele não me acordou...


Ele chegou de mansinho e entrou no meu sonho!

 

Escrito por Cris às 10h47
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"...Existem palavras que perfuram a carne!

Escolha pois, entre todas, uma verdade...

 

Sem dó; sem auto piedade.

 

E então, apunhale com ela o próprio peito,

 

Num golpe único, exato e perfeito,

 

Evitando assim, que o amor morra em vão!

 

 

*

Escrito por Cris às 07h40
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E ela abusou do sentimento, chamando por diversas vezes o nome dele como quem diz: “meu amor”.
(Num desses recursos que os amantes esbanjam)


Porque amar mesmo de verdade, só se ama assim: largo, completo, dentro, nas partes mais vastas, mais fundas da gente. Com todas as esperanças castas e os gestos despidos de qualquer resquício de medos. Só se ama nos segredos.
(Numa dessas sabedorias que só o perdão nos dá)


Permitir-se amar assim,  era como se a casa do seu corpo fosse visitada todos os dias pela alegria.
(Numa dessas expressões que um corpo sabe escrever no outro)


Ele, o mesmo, o de sempre, de repente, revelando-lhe belezas tão inéditas e
sensualidades que não estavam submetidas à posse.
(Num desses encontros que duram)


Tinha tanta clareza  e lealdade naquele sentimento como quando os anjos da guarda de um casal  também se apaixonam.
(Uma dessas paixões mágicas, sabe?)


E o sol que provavelmente estaria lá fora, ela via nascer por dentro.
(Numa dessas luzes que acordam o dia mais cedo)


Foram toques suaves e firmes, enquanto o amava.
(Numa dessas linguagens do corpo)


Era uma querência já sem desespero; calma, delicada, mas intensa.

Vontade de dedilhar num violão aquele sorriso até encontrar o melhor dos adjetivos.
(Numa dessas histórias que viram música)


Estavam felizes sem modéstia ou culpa,como se todas as flores do mundo fizessem aniversário.
(Num desses momentos que esmagam e apagam antigas tristezas)


Eles, durante o dia, inteiros;  na noite, intensos; na madrugada, nus, puros:
e o experienciar de todas aquelas emoções sem títulos, nomes ou fim..


(Numa dessas relações que não se abreviam. Que se eterniza....)

 

 

*

 

Escrito por Cris às 10h32
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Fico quieta, ouvindo das músicas que ouvíamos juntos,

e uma saudade chega mansa e aperta meu coração

numa dorzinha boa, sabe?

Aquela falta de alguma coisa, alguém ou algum lugar que você

não conhece? E ainda este solo de violão:  instrumento dos mais solitários

que conheço e que quando faz um solo, assola meu coração num

mergulho longe, fundo, num desconhecido tão familiar, profundo..

Aquela solidãozinha que me faz cruzar os braços de olhos fechados

 pra abraçar a mim mesma. Sem tristeza. Só saudade.

Aquela nostalgia, a falta fria, de colo. Daquele colo. O corpo todo reagindo ,

sob o efeito da harmonia.

Um monte de coisas borbulhando por dentro. E os olhos fechados visualizando

 as notas numa partitura dançante. Tudo é movimento e entrega.

E eu caso tão perfeitamente com a música, que quase me transformo

num instrumento. Porque algumas músicas, tiram nossa alma pra dançar.

 

"...E nestes momentos, para te sentir,  basta que eu me toque..."

 

Escrito por Cris às 19h22
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