Carta ao meu amor....



Hoje o dia amanheceu chuvoso, anjo meu.... Um vento úmido desmanchou-me

os cabelos e, ao olhar-me no espelho  vi que o sorriso no meu rosto era morno,

sem aquela   luz  que,  segundo você,  servia-me  de adorno, iluminando tudo à

nossa volta e refletindo o significado real do que era felicidade. Levantei-me sem

aquela  alegria  tão  nossa  que  minava pelos poros  e  percebi,  depois de tanto

tempo  e  nas  lágrimas  que  deslizaram  pelo  meu  rosto,  o  quanto  eu fiquei

sozinha. O tamanho da minha solidão. O quanto nem a minha companhia mais,

me  basta.  Entendi  o  quanto  eu não quis que esse amor passasse. E entendi

enfim, o quanto eu amei você! Mais do que podia suportar. Mais do que qualquer

dor  poderia  doer.  Amei   sem ver seus olhos, sem sentir seu cheiro, ou sequer

tocar as pontas  dos  seus dedos com as pontas dos meus, com aquele carinho

próprio  das  descobertas  e  do  culto  aos sentidos.  Sem  aquele toque onde os

olhos  pousam  de  leve  nos  outros olhos enquanto as mãos tremem e tentam

uma  proximidade. Sem  a  respiração ofegante dos que amam. Amei sua alma.

Amei  suas  verdades  e  suas  mentiras  mesmo sabendo que eu não cheguei a

conhecer  nenhuma delas. Amei  o  seu Universo e acreditei estar dentro dele. E

acreditar  me  deu vida. Hoje, sentada num canto debaixo da minha janela, num

cair  de  tarde qualquer, eu espero. Olho pros pedaços de céu que o concreto me

permite  perceber  e  penso  em você. E penso em mim, quando com você. Onde

poderia estar?...Como estaria?...Com quem?....Estaria amando?....Estaria sendo

amado?....E sem que eu controle, vem a necessidade de saber de você. Se ainda

pensa  em mim. Se os momentos que me alimentaram a alma por tanto e tanto

tempo,  ainda  vivem  dentro  de  você.   Se  as  mágoas  que  eu  causei  foram

superadas, assim como tento superar as minhas. Se ainda dói....Mas existe um

tempo  pra  tudo  e, de repente, lá do fundo do meu peito, brota à contragosto a

sensação que eu tento enterrar mas que sufoca e se supera, de que nada disso

teve  qualquer valor prá você.  De que esse tesouro é e sempre foi apenas meu.

De  que eu sonhei esse sonho, sozinha.  Então, eu enxugo as lágrimas  que me

escorrem livres  agora pelo rosto, deposito a caneta no canto da minha mesinha

de  cabeceira,  abro  uma das suas gavetas, dobro cuidadosamente o papel onde

estive  escrevendo  estas  palavras  e guardo, juntamente com as outras cartas

tantas,  que  venho  te  escrevendo  ao  longo  desse  tempo, e guardando, sem

coragem de enviar...

 

Sem mais para o momento,

despeço-me,

tão carinhosamente.....

 

Escrito por Cris às 21h06
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Somos vôo que não saiu do solo...

Mãos que nunca se tocaram.

 

Somos sonhos guardados!

Sou olhos marejados...

Por não terem visto os teus.

 

Somos janela vazia!

Somos luz do começo do dia

que revela em constante agonia

que é chegada a hora do adeus.

 

Somos sonhos e objetivos dispostos

em serenata com tons de tristeza.

Somos almas de rara beleza,

com destinos completamente opostos.

 

Se me perguntasses, porém

 

o que eu faria por ti,

 

eu responderia:

 

Que te cuidaria...

 

E acalantaria..

 

E te seguiria

 

por todos os mundos e mares...

 

Becos e lugares...

 

Nas tormentas e nas calmarias.

 

 

E sequer me notarias,

 

nas grandes chuvas e nos grandes sóis,

 

que nos acolheram feito ninhos.

 

 

E sobre estes caminhos,

 

por onde quer que passasses,

 

eu te amaria.

 

Exatamente como um poeta

 

ama a própria poesia.

 

Escrito por Cris às 13h07
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Eu escrevo..

...e enquanto  esses  meus poemas pálidos me consolam, também

me devastam, inquietam e trazem paz, ainda que eu saiba que não se vive

apenas  de poesia, até porque nunca consigo saber  com  antecedência  se

 ela  nascerá do resgate, da emoção ou da arrebentação.  Ela  nunca revela 

à  que vem.  Se  pra preencher as minhas carências  ou  acalantar minhas 

urgências;  ou   ainda lembrar-me de  que  são  necessárias a presença  de 

flores,  que  vez  por  outra brotam  tortas  só   pra  contrariar  as  raízes,  

simplesmente. Ou, que não se  pode dormir o sono dos bem aventurados, 

sobre  lençóis  limpos  e esticados, todo  o tempo. Isso  é utopia. Contudo,

no  momento  em que minhas pobres e fracas palavras apaixonam-se por 

alguém, elas naturalmente acontecem. Criam força e fluem. Entregam-se

 E entregando-me, bailam ao longo do corpo dos meus dedos, revelando o que

  há  de  mais  meu  nos  meus  segredos,  acalmando  o  meu  caos interno, 

desaguando  assim,  nos navios do do meu inferno eterno...E é quando, sob a

vigília da pena  da  minha caneta, sinto o  quanto  quero da chuva a poça mais 

funda; do  amor, a cama mais verdadeira e dos venenos, sempre o mais forte. 

Não  sou  personagem  de mim mesma. Não uso meias palavras e vivo meus

dias,  às  custas   dos  meus  risos  e  do meu choro, sorvendo da vida  até o

último  gole   de  sorrisos  e lágrimas  que ela me quiser presentear. Não vivo

amores  que não  sejam os meus e deixo  à mostra minha artéria maior, por

onde  circulam meus pontos e vírgulas, que desenham sempre a viagem que

me é reservada, entendendo acima de tudo, que o amor é o único sentimento

que se justifica por si só.

E  assim eu vivo. Acreditando sempre que vez por outra, navegar ainda é o

que há de mais preciso.

 

Escrito por Cris às 09h05
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