"..Foi assim...

 

- Pára de rir, vai! Você só ri de mim...

- Mas eu não tô rindo de você... tô rindo prá você!

- Rio do que você fala.

- Dá no mesmo. Pára de rir...

- Você não gosta que eu ria?

- Não...Eu sinto medo!

- Medo?

-É!

- Eu me apaixono por quem sorri assim.

- Me apaixono por quem ri prá mim...

 

...ou era pra ter sido."

 

E o amor foi embora...Esvaiu-se, feito sangria. Escorreu, feito hemorragia. Feito  galho seco, solto precocemente do tronco, num dia cinza de outono. Fazia frio no dia da partida  daquele  amor  e  os ventos,  dentro  do meu peito,  batiam soltos ...bravios. Gelados e sem sono. Fazia frio no seu olhar castanho e miúdo e havia já a ausência inteira daquela primeira essência, que perfumou e coloriu tudo no primeiro toque e no primeiro olhar que trocamos. Naquele cheiro de pele e de hálitos mornos que se apresentavam entre sorrisos tímidos e beijos  cheios de todas as vontades.  E daquele  seu olhar afoito e tropeçado e que parecia não ter fim. Mas teve.. Hoje, não consigo mais escrever. Ando irritada. Zangada e triste. E a culpa é de uma dessas histórias que não têm como ser resolvidas.  Não há como.. Diluem-se, pura e simplesmente! Evaporam-se! Tornam-se apenas momentos, na vida.. E tudo o mais perde a importância diante do  que vai  sendo jogado fora... As palavras, hoje mudas, deixam-me assim... Mais carente... Introspectiva.  Como se fossem pássaros, sem  poder voar.  Pássaros feridos, quem sabe... Daí, sinto que elas precisam criar forma, sair do anonimato e voar novamente através dos sonhos... Por isso escrevo... Por isso me exponho... Por isso permito que minhas emoções passeiem nessa velocidade alucinante e ganhem forma explosiva... Incandescente... Sou assim... Sem medo ou vergonha de dizer “eu te amo...”.  E  sem  jogos  ou malicias, entrego-me às emoções... Sem amarras... Crio asas... Alço vôo... Viajo por entre  nuvens e estrelas, tocando a lua... Sou assim... Sou mulher, enfim... E com a saudade do que foi nosso, ficam o bem que nos fez e o mal que nos coube... As marcas, os atos e as palavras atravessadas...A insensatez! O grito que não dei e o último beijo que não tive.  E  a  verdade que não ouviste  porque nunca era o momento. E o tanto absurdo  de  sentimento,  no  medo  que existe  da saudade que  insiste  em  sobreviver  nos espaços que sobram na minha cama...Nos lençóis decentemente esticados...Na  camisola sobre a minha pele e acima de tudo, numa intimidade que parecia  absolutamente divinal, dentro de uma história que começou a ser escrita numa poesia rica em versos, rimas e vírgulas, essências e reticências, mas que acabou em mais um poema, daqueles, sem ponto final.

 

Escrito por Cris às 22h21
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Descalça...

Um cheiro adocicado no ar, que não evapora...

Sua essência que não vai embora...

Das minhas pernas levemente esticadas..

Dos meus joelhos, afastados e sem jeito.

Tua presença continua neste quarto...

E eu, te sentindo no meu corpo...

Num dos momentos em que meu pé esfregava o outro, sobre as marcas da sua

presença vadia...

Enquanto minha camisa sorria, aberta sobre o meu peito.

Minhas emoções ainda em total descontrole!

Você, permanecendo depois da partida...

Sua mão, lisa, na minha coxa...

Revirando por completo, a minha vida.

Seu cabelo curto, negro e despenteado a roçar-me as virilhas...

O olhar, de um castanho-noite (quem sabe a nossa)...

Dentro do meu.

E na outra ponta da cama, eu.

E eu era toda paixão...

Toda entrega e coração, a saciar a minha (e a sua) fome...

E mergulhada na sua boca que sussurrava meu nome enquanto gemia sem

 perceber, eu mais parecia uma menina sem teto que nunca tinha recebido

afeto, ou sido presenteada com tamanho prazer ...

 

Escrito por Cris às 08h11
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Tocando-lhe a face, ela desembrulhou aquela alma e ao sentir o calafrio que soprava de dentro do peito daquele homem, percebeu então, a sombra da proximidade da perda e, apesar do vento exageradamente frio, sentiu a necessidade de manter aquela alma desnuda. Desejou aquecê-la, ela mesma...Precisava disso. Ele por sua vez, sentiu-se tão nu diante daquele par de olhos que esperava por uma explicação que a convencesse daquele final de amor tão prematuro, que sua face corou diante dela. E foi justamente nesse momento que ele percebeu que o rubor era comum e que também a despia. Que a colocava nua diante de todos os critérios, os preconceitos, as hipocrisias, os conceitos e quaisquer sentimentos que a tivessem levado pra longe deles.
Ao notar-se despida, ela então debruçou sobre o peito dele e colocou sua face na direção daquela brisa gelada que vinha do fundo da alma daquele homem querendo entender-lhe todos os segredos e com isso embora sem se dar conta, brindava, mimava e acarinhava o corpo dele com o dela, cometendo ternuras no seu espírito e tripudiando seus receios apertando com os seios o peito daquele moço...
Ele lutou disfarçando lágrimas nos olhos e fingiu indiferença... Tirou seus olhos dos dela e olhou pro céu...Ignorou sua presença...Multiplicou estrelas...Assoprou algumas nuvens...Segurou ventos com as mãos...Flutuou...Pairou rente ao chão e engoliu os soluços para ver se o tempo passava. Não adiantava! Então, o moço acabou se deixando aquecer pelo carinho daquela moça e derreteu-se, fluindo pra dentro dela.
E a moça que era só tristeza, agora sorria e era toda alegria sentindo aquele moço tão esperado entregar-se, escorrendo-lhe através das palmas das mãos, na direção da sua vida...

 

 

 

 

Escrito por Cris às 13h43
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