
"Essa é mais uma noite, em que vejo minha vida como se fosse feita
de ventos, desses cortantes....E frios, como os que habitam rios e
despenhadeiros. Uma noite de breus e sombras de velas que queimam
em bicos caóticos de fogo. Uma noite em que o medo de perder entra
escandalosamente manso, deita-se aos meus pés feito um bicho negro
procurando abrigo sobre um tapete de pelos macios e a solidão desce
quente e cortante como um gole de água ardente. Tento distrair meus
pensamentos que agora, dificilmente me obedecem e consigo pensar
que em algum lugar há mães embalando seus filhos e sorrindo pétalas
de flores. Há mulheres e homens em seus leitos, amando seus amores.
Desisto de fugir desse tormento que é tão meu e acaricio a gata que
ronrona deitada sobre o meu peito.. (tão sozinha quanto eu...) e duas
lágrimas grossas deslizam, resignadas. Deposito a gata no sofá ao lado
da cama que me espera, com seus grandes lençóis brancos e macios,
abertos e vazios. Tomo mais um gole de vinho que me arde na língua e
na garganta e uma tristeza que se agiganta desencadeia mais lágrimas
e me beija, desejando-me bons sonhos...."
Escrito por Cris às 07h49
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