
Ela anda inquieta, preenchida das suas fraquezas e delicadezas bordadas nos olhos das meninas dos seus olhos, que enxergam além dela, as próprias inseguranças. Sua vida, que nunca esteve tão impaciente, segue em frente emoldurando uma tela antiga e escura onde ela posa parada, olhando e rezando, confusa, uma oração na qual pede o resgate de todos os seus sentimentos e busca resquícios de um segundo de aconchego e de calma. E como se não bastasse, ela mantém tatuadas na pele as mãos e a boca daquele homem, depois da sua partida, mesmo muito antes da sua chegada. Sua solidão é embalada por ventos fortes que invadem a sala numa rajada única; ventos frios de mais um outono que chega e parte, completamente cinza, partindo-a em milhões, rasgando sua alma em pedaços. Desfolhando-a, inteira. E desde então, ela vem vivendo de sentir a presença dele viajando em seu sangue. O cheiro doce da tímida resignação gritou denso dentro dela, misturando-se numa cegueira entorpecida e o amargo ranger das portas do mundo que foram fechadas às suas costas, abandonaram-na pra trás e por instantes ela sequer soube se deixaram uma benção ou se levaram com elas, as maldições. Ah! Se os dias dele ainda fossem dela.... Quem sabe houvesse cura praquela loucura, tão branda. Mas não são! Nunca mais serão...E hoje, aquelas árvores, cujas sementes eles plantaram, juntos, seguem florescendo desencantos incessantes em plena escassez de cores e prantos, dando-lhe uma única certeza: os dois se perderam ou estão por perder alguma coisa muito valiosa, em algum lugar....
Escrito por Cris às 10h22
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 “...Um dos momentos em que mais me exponho é quando você sai do meu sonho e entra no meu banho, tira a sua roupa e me olha, inteira e demoradamente. Toca a minha cintura com as mãos espalmadas, aproxima-se da minha boca que agoniada, bebe da sua como se provasse um mel, um néctar ou o suco de uma fruta, tenra e madura. E, ao sentir seu tremor no meu, eu saio da sua boca e ajoelho-me debaixo da água que cai sobre minha cabeça criando assim uma moldura, prá uma pintura onde só falta a cor principal: você! E você vem...E eu te tomo nas mãos e nada à partir daí, me passa despercebido: o som do seu gemido, o calor da sua pele, a textura dos cabelos. O arrepio dos pelos e a ansiedade das mãos. O desenho do seu rosto, no instante em que eu quase sinto o gosto tão esperado do seu prazer. Os braços fortes que me levantam...A língua que me cobre, sacia meus lábios, lambe meus delírios, prova das minhas viagens...E volta! Levando-me ao meu inicio e me recriando. O cheiro que exala da sua boca, nos momentos em que você me toma e me deita... E me toca...E se ajeita... E me deixa como louca ao me fazer perder o juízo enquanto eu agonizo nos seus braços e você geme entre as minhas pernas, prá em seguida fechar seus olhos, pousar no meu colo e gozar da calma do meu sono num abandono tão próprio de quem ama tanto. Portanto, ainda que eu tenha que ir e vir, chegar e partir, hei de me lembrar de tudo: do seu gosto, seu cheiro, seu toque e tudo o que você é... Porque o meu amor é minucioso... Não é um amor qualquer. É abusado... Cuidadoso... Curioso... Escancarado... E para viver esse amor, foi que eu nasci mulher..."
Escrito por Cris às 13h27
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