"....Trago muitos poemas de amor escritos na pele. Mas
tão à flor da pele, que só a minha pele já não chega.
Não é suficiente! Tanto não é suficiente que sinto a
necessidade de escrevê-los na sua. Abrigo tanta paixão
dentro do corpo que o meu corpo não a comporta mais.
Afinal, é só um corpo e, por isso, preciso derramar parte
dela no seu, dividindo-a por dois, você entende? Por nós
dois! E essa agonia, eu sei bem o que é: é essa saudade
que abraça de repente a alma da gente, ajusta-se ao
peito pelo lado de dentro, ocupa todos os espaços,
machuca tanto e faz com que num final de tarde
chuvosa, sob um céu cinza e com os olhos voltados pro
horizonte, eu continue aqui, esperando que essa
tempestade passe e que a calmaria castanha dos seus
olhos chegue até minha alma, envolva-me em seus
sonhos e leve-me prá você. Afinal, uma paixão não pode
ser relativa, tampouco existir de um meio termo. Ela
sobrevive de um extremo: ou se ama demais, ou não se
ama o suficiente."